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13/06/2019

TRÊS GAROTOS E UMA LIÇÃO

Prof. Tales de Sá Cavalcante

O Povo. 13/06/2019 (quinta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

A bola foi parar na cozinha da antiga creche, prédio abandonado pela Prefeitura de Santa Rosa de Goiás. E atrás de uma bola há sempre uma criança. Naquele dia, eram três garotos. Gabriel, Bruno e Marcos. Um deles deu o pontapé inicial de uma história que vale a pena ser contada. Não somente porque eles se tornaram o motivo de orgulho de uma cidade inteira. Mas porque eles descobriram um pedaço de plástico a sair da velha parede e, ao puxarem o fio da meada, encontraram um “tesouro” (R$ 12.000.00, em espécie), provavelmente escondido por um idoso que recolhia material reciclável e morou no lugar até morrer, há cerca de dois anos. Os garotos devolveram o dinheiro achado, e essa atitude, possivelmente, foi fruto de sua educação doméstica, atributo cujo nível independe da situação econômica da família.

Episódio análogo, acontecido há muitos anos, ainda reside na memória deste articulista. Trata-se de lição dada por minha mãe, professora Hildete de Sá Cavalcante, registrada no livro “Um casal, uma escola, uma história”, escrito por mim em parceria com minhas irmãs, Hilda e Dayse, e lançado em 2018, por ocasião do centenário de nascimento de nossos pais.

A narrativa é sobre sua sobrinha, companheira para as compras no centro de Fortaleza. Certa vez, ainda criança, ela foi com sua tia à Loja de Variedades, a maior da cidade à época. Ao retornar, a menina, a sorrir, mostrou um carrinho que tirara escondido da gerente, Olinda, com ar de vitória pela travessura cometida. Minha mãe voltou até a loja com a sobrinha, e sua orientação ocasionou a devolução do brinquedo e um pedido de desculpas à gerente.

Lição aprendida. Isso, há muitos anos. Agora, quando tudo parece perdido, eis que surgem três garotos para relembrar a lição. Talvez uma boa ideia fosse levá-los ao Congresso Nacional a fim de contarem a sua história. Alguns políticos não precisariam ouvi-la, mas talvez a maioria sim. Lá, quem sabe, os garotos dissessem que é preciso fazer o que é certo, com a naturalidade de quem toca a bola, um para o outro. Para nos devolver a esperança. Para redimir um país.

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