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14/09/2018

QUESTÃO DE PRIORIDADE

Prof. Tales de Sá Cavalcante

O Povo. 14/09/2018 (sexta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

“acordo com a insuportável notícia da destruição do magnífico museu nacional do brasil, que é da ordem do absurdo. como pode ser descurada uma casa que definia a história do brasil? (…) só em tempo de guerra, (…), coisas assim acontecem. fico com a impressão de que o brasil está em guerra consigo…”
 

Assim desabafou em rede social o escritor Valter Hugo Mãe, sensibilizado pela história que une Portugal e Brasil e pela grande perda para a Humanidade. Em letras minúsculas, uma dor maiúscula.
 

Praticamente, nenhuma prevenção havia no Palácio Imperial, abrigo do Museu Nacional, residência da Família Real, sede da primeira Assembleia Constituinte do Brasil e testemunha de diversos momentos importantes na nossa história.
 

No incêndio, foram destruídos cerca de 20 milhões de preciosos itens. Segundo o site oficial do Museu Nacional, lá havia peças do mundo natural e da produção humana, do Brasil e do mundo, a coleção egípcia de Pedro I, a coleção de arte e artefatos greco-romanos da Imperatriz Teresa Cristina e acervos herdados do Museu do Imperador, tesouros esses desprezados pela UFRJ, responsável pelo Museu.
 

O Museu Nacional era isso, mas também “uma casa descurada”, sem recursos à sua manutenção. Questão de prioridade, pois não faltaram verbas para os estádios da Copa. Só para o Maracanã, a Arena Corinthians e o Mané Garrincha, foram gastos um total de R$ 3,533 bilhões.
 

Muito menos salvaria o Museu Nacional e outros que estão a necessitar. Dos 14 museus do Rio de Janeiro, apenas 2 têm a certificação do Corpo de Bombeiros. Provavelmente, o Decon de lá não seja tão eficiente quanto o de cá, do Ceará.
 

Mais uma vez, ficou evidenciado que o problema é de gestão. O jornalista Elio Gaspari lembrou que o Governo Federal, após o desastre, em vez de pedir dinheiro a grandes grupos empresariais, deveria aprender como fazem o Instituto Moreira Salles e o Itaú Cultural.
 

No dia em que, no Brasil, instituições culturais forem mais importantes que estádios, talvez os museus tenham o cuidado que merecem.
 

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