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19/10/2018

GENUINO ETERNO

Prof. Tales de Sá Cavalcante

O Povo. 19/10/2018 (sexta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

15 de abril de 1938. A Fazenda Tamboril do Sales, em Pedro II, no sertão do Piauí, testemunhou o nascimento de uma estrela. Surgia Genuino Sales. Tanto amava suas origens que, a pilheriar, escolheu para seu e-mail particular a expressão genumatuto@bol.com.br.
 

“Lá aprendi a soletrar o mundo para leitura da vida”, escreveu Genuino. Leu e escreveu a vida. E na vida. Tornou-se o mestre dos mestres de todos da Organização Educacional Farias Brito. Tornou-se imortal por diversas Academias, algumas no seu Piauí, outras no seu Ceará, como a Fortalezense de Letras, a Cearense de Língua Portuguesa e a Academia Cearense de Letras, a mais antiga do Brasil, onde conviveu com a alta intelectualidade cearense.
 

Vi meu grande amigo e conselheiro de todas as horas, Genuino Sales, erguer, entre nós, Catedrais de Sonhos.
 

Disse o imortal: “Volto a sentar-me nas pedras ancestrais de meu terreiro; e me ponho a fitar a estrada longínqua por onde andei e que agora, encurtada, me aponta certezas das coisas inatingíveis. Vivo esperanças multiplicadas pela ousadia de meus sonhos e me assusto diante da eternidade das pedras (…) transformadas em cátedras (…)”
 

Genuino se fez pedra e se fez cátedra. Formou-se em Direito e em Letras, foi nomeado juiz, mas renunciou à magistratura, pois ensinar aos outros era o que o fazia feliz. Genuino foi um semeador de letras. Fez de onde ele estivesse o Espaço da Palavra. O mestre mais querido do Farias Brito. O símbolo maior para quem abraça o magistério e ama os livros.
 

O mais eloquente exemplo de como se enfrentam as agruras da vida veio ao considerar-se um “parkinsoniano lépido”. Sua existência foi inspiradora. Cunhou frases lapidares: “Uma coisa é o que eu faço, outra coisa é o que nós fazemos”, “Ando sem equilíbrio, mas não sou desequilibrado”, “A velhice é uma graça muito sem graça”.
 

Perdemos o contato físico com Genuino, mas ficam suas lições. Conquistou a eternidade das pedras. Viveu assim. Viveu bonito. Do sertão a Fortaleza. Da sala de aula ao infinito.
 

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