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22/02/2019

FAKE OR FACT?

Prof. Tales de Sá Cavalcante

O Povo. 22/02/2019 (sexta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

 

“Conhece-te a ti mesmo”, aforismo grego cunhado por Sócrates e inscrito no templo do deus Apolo em Delfos, ainda salta da Antiguidade como um grande desafio para o ser humano. E nos faz pensar não só sobre o que as pessoas são, mas também sobre o esforço de algumas a fim de aparentar o que não são.
 

Somos o que lemos, o que dizemos, o que escrevemos, o que comemos até. Somos o que vestimos e o que usamos. Somos o ritmo que empreendemos em nossas vidas e que movimenta a vida dos outros. Entretanto, para escapar da tentação de alimentar aparências e guindar falsas expectativas, é preciso, antes, que cada um conheça a si próprio. Uma missão das mais complexas, visto que estamos em constante renovação e, segundo a verdade incontestável do Maluco Beleza, Raul Seixas, somos “metamorfoses ambulantes”. Ainda assim, demasiado tempo se dedica à criação e manutenção de uma imagem – muitas vezes bem distante da realidade – como se ela fosse fixa, permanente.
 

É fácil acreditar na invenção, tomá-la por verdade e se perder em um mundo de pseudopersonas, personagens idealizados a ocultar pessoas reais, e de fake news, tão perigosas ao ponto de serem consideradas por muitos uma das principais causas da vitória de Donald Trump. Para Washington Olivetto, “com a tecnologia, foi como se todo mundo acordasse comunicador”. E essas pessoas ainda têm possibilidade de anonimato para denegrir imagens de inocentes.
 

Na ditadura do aparentar, o que se sente e se pensa perde importância para o que se mostra. Nesta, valoriza-se o superficial e se subestimam os atos de genuinidade, legitimidade e originalidade e, como toda ditadura, deve ser destituída.
 

Alguns vivem uma crise de autenticidade, sobretudo. Crise exposta de maneira muito explícita no palco das redes sociais. E cada vez menos se atende ao conselho de Sócrates. Para algumas pessoas, é difícil ser simplesmente elas mesmas, achar a face perdida no espelho. Mas não percamos a esperança e sigamos os versos do poeta Mário de Andrade: “Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta, Mas um dia afinal eu toparei comigo…”
 

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