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06/07/2018

ENFIM SÓS?

Prof. Tales de Sá Cavalcante

O Povo. 06/07/2018 (sexta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

 Enfim, o sonho de Igor se realizaria. Ele, sua esposa, Ruth, e a filha, Vitória, almoçariam juntos. Poderiam, afinal, trocar ideias e se divertir num bom restaurante. Seria um raro domingo familiar. Atenções e diálogos se concentrariam somente entre os três.
 

Quando criança, Igor almoçava com os pais e irmãos quase diariamente, e, para ele, as refeições eram aulas proferidas por sua mãe e seu pai. Tal cena não mais acontece, pois a agitação dos novos tempos não permite. Mas sua esperança era que aquele domingo iniciasse uma nova etapa em seu relacionamento familiar. Dali em diante, a família se reuniria mais, e as atitudes da filha seriam, em grande parte, frutos da fase que começaria naquele almoço.
 

Chegaram ao restaurante e foram bem recebidos. Foi solicitada uma mesa para três. Momento incomum. Estavam apenas pai, mãe e filha, para conversarem, e, principalmente, para Igor e Ruth aproveitarem a preciosa oportunidade com Vitória.
 

Igor foi ao toalete. Ao retornar, visualizou uma desagradável cena. A filha estava a dialogar com três grandes amigas e companheiras de sala na escola. E, surpreso, ele refletiu: se o almoço seria uma reunião entre os três, por que ela resolveu priorizar o “bate-papo” com as amigas? O compromisso do encontro a três fora quebrado, e, agora, pai e mãe só conversavam com a filha quando Vitória ingressava em “pausa para respirar”. Ora, para a adolescente, os assuntos entre amigas eram mais agradáveis e atrativos. Ela, apesar de mais jovem entre todas, era a mais ouvida e, quase sempre, a conselheira do grupo. Desta feita, fornecia conselhos monossilábicos, preocupada com a reação paternal ao seu inoportuno bate-papo.
 

Diante da ira crescente, Igor solicitou à sua grande companheira e esposa uma orientação para resolver o impasse. De forma inteligente, maternal e afetuosa, Ruth resolveu o “enigma” a apresentar sua ideia:
 

–– É simples, meu amor. São necessárias apenas quatro palavras.
 

E afirmou:
 

–– Filha, desligue o celular.
 

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