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17/10/2019

COM PRESSA, VÁ DEVAGAR

Prof. Tales de Sá Cavalcante

O Povo. 17/10/2019 (quinta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

Quando adolescente, este articulista teve o privilégio de receber lições não apenas da mãe, Hildete, e do pai, Ari, mas também dos vizinhos da rua Leonardo Mota, Otacila e Prisco Bezerra, grandes amigos nossos e tão fraternos, que a vizinhança gerou um exemplar casamento, ora com 54 anos, dos vizinhos de então Hilda, minha irmã, e Tarquínio. A mãe de meu cunhado era conhecida como D. Tacila e notabilizava-se por brilhante atuação na formação dos filhos, elevada inteligência e inseparável bom humor. Uma de suas máximas era: “Homem que anda de motocicleta e homem que anda com mulher casada podem morrer a qualquer hora.”

Roberto, um de meus companheiros de trabalho no Colégio Farias Brito, por pouco, não confirmou a máxima de D. Tacila. Não que ele tenha seguido Oscar Wilde, para quem “a única maneira de nos livrarmos de uma tentação é ceder-lhe”. É que, ao retornar para casa em sua moto, foi vítima de uma colisão com um automóvel cujo motorista confessou sua simultaneidade entre dirigir e falar ao celular, pediu desculpas e chamou seu advogado, a quem orientou: “Por favor, cuide da reparação da moto. Eu sou o culpado. Todas as despesas serão minhas, pois eu vinha falando ao celular.”

Após alguns dias, ele telefonou para o motociclista convidando-o a jantar com sua família. Lá, na presença dos próprios filhos, fez questão de dizer que nunca tinha prejudicado alguém e estava se sentindo muito mal diante do ocorrido. Aquela seria, portanto, a oportunidade para dar o exemplo à sua família de que devemos reconhecer os erros, procurar corrigi-los e assumir as consequências.

Pudera o inusitado gesto de reconhecer a culpa e admitir o erro tornar-se comum. E a frequente desatenção no trânsito por conta do uso indevido e perigoso do celular ao volante tornar-se-ia tão rara, quase inexistente, que passaria a ser inusitada.

No citado fato, o uso do celular ao dirigir poderia ter custado uma vida. O ato de falar logo pelo telefone pode gerar atraso em vez de rapidez. É por isso que, a pilheriar, alguns dizem ao ingressar num veículo: “Motorista, por favor, vá devagar, pois tenho pressa.”

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